Escolas agrícolas investem em formação técnica rural

Por Virgínia Cavalcante

No Colégio Estadual Agrícola Rei Alberto I, em Nova Friburgo, Região Serrana Fluminense, as aulas de matemática, português e outras disciplinas regulares dividem a atenção dos alunos com um aprendizado específico que tem o principal objetivo de abrir portas no mercado de trabalho. A instituição é uma das escolas agrícolas da rede pública estadual, onde o elemento de destaque no ensino é a terra. A ideia é oferecer uma formação voltada para a realidade dos estudantes do meio rural e capacitar técnicos especialistas na produção de alimentos, incentivando práticas que favoreçam o desenvolvimento sustentável.

A escola funciona a partir de um convênio entre o Governo do Estado do Rio de Janeiro e o Instituto Bélgica Nova Friburgo (Ibelga). Com 16 anos de existência, a instituição forma alunos com a habilitação de Técnico em Agropecuária e, a partir deste ano, também passou a oferecer o curso Técnico de Administração.

- O nosso aluno de Agropecuária sai com dois diplomas: o do Ensino Médio tradicional e outro de Ensino Técnico. Na verdade, eles começam as aulas do Ensino Técnico no segundo ano do Ensino Médio. São disciplinas de agricultura, de zootecnia, de agropecuária, entre outras. Eles passam por todas as áreas de conhecimento técnico. Paralelamente, as outras matérias se integram e aproveitam os problemas históricos da região. Esta interdisciplinaridade é muito boa, é quase que espontânea, pelos professores conhecerem muito bem a região – explicou o diretor-adjunto da escola, Ronaldo Schuenk

Implantada em uma área rural de 275 mil metros quadrados, a unidade é a primeira em experiência pedagógica de alternância no estado. A maior parte dos alunos que se matriculam na unidade é composta de filhos de produtores e de pessoas que exercem outras atividades no meio rural, também, em sua maioria, oriundos do Ensino Fundamental da Fazenda Escola Alberto I, que funciona no mesmo local. Além de morador de municípios vizinhos, como Duas Barras, Sumidouro, Bom Jardim e Cordeiro. A necessidade de a escola oferecer aos alunos a disciplina de Agropecuária se deu pelo fato de a região ser uma das principais produtoras de hortigranjeiros no estado. A disciplina de Administração surgiu com o propósito de ensinar a gerir melhor as propriedades rurais. O objetivo é incentivar as atividades econômicas existentes no local.

- O foco dos cursos de Agropecuária e de Administração é a questão do desenvolvimento sustentável. Não é possível falar da questão da sustentabilidade social, socioeconômica e ambiental sem ter o gerenciamento dos recursos. Na área agropecuária, eles estão cada vez mais restritos e cada vez mais é importante que os alunos saibam administrar estes recursos. A administração na área rural se faz ainda mais necessária em função da grande demanda ambiental, até mesmo para uma visão de sustentabilidade profissional que o produtor rural muitas vezes não tem. Damos este víeis no curso de Agropecuária. O de Administração mostra como fazer para produzir de forma mais eficiente - explicou a professora de administração de produção e administração geral Maria Helena Campos.

Atualmente, a instituição dispõe de 13 professores, seis funcionários extraclasses e 100 alunos. O horário de funcionamento é das 7h40 às 16h20. A unidade é formada por quatro turmas de Ensino Médio. A duração dos cursos Técnico em Agropecuária e Técnico de Administração é de três anos.

- O meu objetivo é poder me formar em Administração de Empresas. Sonho em trabalhar na administração de uma empresa desta região. A base das matérias que aprendo aqui será fundamental para que eu consiga alcançar esta meta – explica Wellington de Carvalho, aluno do primeiro ano do curso Técnico de Administração.

A escola é composta por laboratório de ciências, biblioteca, refeitório, laboratório de informática, alojamento, hortas, estufas, apiário, horto medicinal, minhocário, laboratório de fitoterapia e capril. Uma parte dos produtos cultivados no local é destinada à alimentação dos alunos, funcionários e professores. A outra parte é doada para escolas públicas e instituições de caridades.

- Nosso papel fundamental é complementar o conhecimento do aluno. Eles têm um aproveitamento muito bom em relação ao curso porque aqui eles ampliam, com o ensino técnico, os conhecimentos básicos que já adquiriram em casa. Passamos aos alunos as culturas que já foram cultivadas aqui por eles – afirma o professor da área técnica em Agropecuária, Eduardo de Carvalho.

Supervisionada por professores qualificados para a atividade, as aulas práticas em Agropecuária são obrigatórias, na própria unidade de ensino e fora dela. A iniciativa proporciona aos estudantes um bom relacionamento com o mercado de trabalho, a integração entre os componentes curriculares e o aprimoramento dos alunos em sua área de atuação profissional. A meta específica do curso consiste em valorizar a atividade agrícola, bem como a cultura e o meio social rural.

- Trabalho no processo de desidratação das ervas plantadas neste local. O procedimento consiste em colhê-las no período da manhã, separá-las uma por uma e colocá-las numa mesa de desidratação durante duas semanas. Depois, elas ficam prontas para serem consumidas. Esta graduação foi muito importante para mim, pois, além de eu trabalhar na escola, faço e vendo produtos como sabonetes, sais de banho e saches para armários – contou a ex-aluna do curso Técnico de Agropecuária e supervisora de estágio do local, Érica Macário.

A matrícula deve ser realizada via internet, pelo site da Secretaria de Educação. O colégio fica na Estrada dos Três Picos, s/nº, Baixada de Salinas, Nova Friburgo. Mais informações pelo telefone: (22) 2543-6907.

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