Começam as obras de centro de controle que reunirá órgãos do município, do estado e da União ( O "Pentágono" carioca)

Créditos ao O Globo

Avenida Presidente Vargas

A Empresa estadual de Obras Públicas (Emop) iniciou este mês a construção daquele que promete ser o coração de todo o atendimento de emergência no Rio: o Centro Integrado de Comando e Controle (CICC). O prédio, com térreo e três andares, ficará na Rua Benedito Hipólito, paralela à Avenida Presidente Vargas, na Cidade Nova, e contará com representantes de oito órgãos das três esferas de governo. Além de teleatendimentos como o da Polícia Militar (190) e o do Corpo de Bombeiros (193), o espaço ainda terá um andar reservado somente para gestão de crises ou de grandes eventos. A previsão é que as obras, orçadas em R$ 36 milhões, sejam concluídas em oito meses.

– Teremos duas funções distintas que se complementam no mesmo espaço: a gestão do dia a dia da cidade, que acontecerá 24 horas por dia nos sete dias da semana, e a gestão de crises e de grandes eventos, que acontecerá periodicamente. Será como um grande condomínio, reunindo órgãos que terão a sua autonomia, mas poderão se comunicar mais facilmente. Acredito que o primeiro grande evento para o CICC deva ser o réveillon de 2011 para 2012 – afirmou o subsecretário de Modernização Tecnológica da Secretaria de Segurança Pública, Edval Novaes.

De acordo com o presidente da Emop, Ícaro Moreno, as primeiras fundações do prédio começarão a ser construídas no mês que vem. A Lona de Circo Crescer e Viver, que ocupa atualmente o espaço, será deslocada para um terreno ao lado. Para chegar ao modelo do Centro Integrado de Comando e Controle do Rio, técnicos da Secretaria de Segurança visitaram oito cidades: Nova York, Los Angeles, Washington, Madri, Londres, Cidade do México, Roma e Istambul.

– Pinçamos algumas características dos centros dessas cidades. De Madri, por exemplo, trouxemos o conceito de ter um andar somente para os equipamentos de informática, com temperatura controlada e controle de acesso rigoroso. Os nossos atendentes só terão um mouse, o monitor e o teclado. Toda a manutenção poderá ser feita à distância. De Istambul e também de Madri, trouxemos a ideia de uma sala de crise com uma das paredes de vidro, o que possibilitará às autoridades uma visão ampla de tudo que está acontecendo no CICC – complementou Edval Novaes.

Além da Polícia Militar e do Corpo de Bombeiros, estarão presentes no novo centro a Guarda Municipal, a Defesa Civil municipal, a CET-Rio, a Polícia Civil, o Serviço de Atendimento Móvel de Urgência (Samu) e a Polícia Rodoviária Federal (PRF). A área total construída será de dez mil metros quadrados. Haverá estacionamento, com capacidade para 120 vagas, e um auditório para cem pessoas.

Projeto do CICC

Órgãos acessarão imagens de câmeras

No primeiro andar, ficará toda a parte de informática. O segundo pavimento será o coração do CICC. De acordo com Novaes, a PM vai transferir para lá todo o atendimento do número 190 na Região Metropolitana. A atual base de serviço, no entanto, não será completamente desativada. Além de atender a municípios do interior, também poderá ser usada como alternativa, caso haja necessidade. Já a PRF transferirá a central de chamadas de todo o estado para o CICC, assim como deve acontecer com o Samu. O Corpo de Bombeiros ainda decidirá a extensão do serviço que passará para o centro.

Ao todo, no segundo pavimento, serão colocadas 375 baias. Dessas, 261 estão reservadas para o teleatendimento. O restante servirá para que os funcionários possam fazer o monitoramento de câmeras espalhadas pela cidade e por todo o estado. Todos os órgãos presentes poderão ter acesso a imagens geradas pelos outros, além, por exemplo, daquelas geradas por concessionárias de rodovias. Haverá uma área chamada de descompressão, para que funcionários possam descansar. Também foram planejados uma cozinha e um refeitório, além de um gabinete médico.

No terceiro andar, funcionará o centro nervoso do Rio no caso de um grande evento ou de catástrofes. Caso já estivesse pronto, o CICC poderia ter sido o local de concentração de autoridades, por exemplo, durante a enchente que castigou a cidade em abril. Haverá uma sala de reunião para autoridades, com um telão que passará informações em tempo real. Dessa sala, graças a uma parede de vidro, será possível ter uma visão ampla do centro e de um outro grande telão de informações, que terá 18 metros de comprimento por cinco de largura.

Também no terceiro andar, haverá uma sala com 70 lugares, voltada para os principais assessores das autoridades envolvidas no evento ou na gestão de crise. Haverá ainda uma sala reservada para a autoridade de mais alto escalão presente e uma área para o setor de inteligência. O mesmo andar terá um pequeno refeitório e um alojamento, com quatro quartos, caso haja a necessidade de se dormir no local para auxiliar nos trabalhos durante uma situação de emergência. No último andar do CICC, será instalado um heliponto.

Lona de Circo terá estrutura melhor

Como o CICC ocupará a área onde está atualmente a Lona de Circo Crescer e Viver, o estado já começou os trabalhos para a transferência do projeto. De acordo com o o coordenador executivo do Crescer e Viver, Junior Perim, todo o processo foi negociado com a Secretaria estadual de Cultura e a Emop:

– A obra de instalação do novo piso já começou, e a expectativa é que façamos a mudança no dia 10 de outubro. Apesar de o terreno ser menor, teremos uma estrutura melhor, mais moderna. O tablado de madeira será novo, ganharemos uma sala multiuso e uma sala de leitura em que pretendemos implementar o primeiro Centro de Documentação de Circo do Rio. Além disso, estamos em negociação para estender o projeto Rio Digital para a Lona de Circo, para que possamos ter conexão à internet sem fio gratuita.

O projeto do CICC é uma parceria entre o governo estadual e o Tribunal de Justiça do Rio, contando com recursos do Fundo da Justiça. De acordo com o subsecretário Edval Novaes, o conceito desse tipo de centro de controle não chega a ser novo no Brasil:

– Um dos mais antigos e bem-sucedidos do país é o de Fortaleza, no Ceará, que tem mais de dez anos e reúne uma quantidade grande de órgãos. Além disso, temos outros exemplos, como no Espírito Santo e em Brasília.

As viagens para a criação do conceito aplicado no Rio começaram em 2007. De Madri, também veio a inspiração de conceber o próprio software de atendimento que será usado no CICC. Dos Estados Unidos, os técnicos trouxeram o conceito do Sistema de Comando de Incidentes, padrão de planejamento que já é aplicado pelo Corpo de Bombeiros e que passará a ser usado também pelos órgãos de segurança envolvidos.



Uma região que se revitaliza aos poucos

Os arcos arrojados do metrô – os da passarela de acesso à Estação Cidade Nova e o da ponte ferroviária da conexão direta Pavuna—Botafogo – se somam a prédios modernos que, aos poucos, mudam a paisagem de um dos extremos da Avenida Presidente Vargas, próximo à sede da prefeitura, na região conhecida como Cidade Nova. Ali foi erguido recentemente o Centro de Convenções Sul América e está sendo construída a nova sede da Cedae, que vai unificar todos os prédios que a empresa ocupa atualmente. Também há projetos para revitalizar o antigo prédio do Hospital São Francisco de Assis, hoje caindo aos pedaços.

O aumento da procura de empresas interessadas em construir na Cidade Nova levou a prefeitura a rever, em março de 2008, o plano urbanístico da região. Na época, o então prefeito Cesar Maia assinou decreto autorizando intervenções viárias e urbanas que incluem desde modificações no traçado de ruas e construção de praças até a desapropriação de imóveis. A ideia, de pé até hoje, é revitalizar todo o entorno da estação do metrô da Praça Onze, facilitando também o acesso de veículos durante o carnaval.

A revitalização da Cidade Nova é um desejo antigo da prefeitura, mas, desde a construção do Teleporto, em 1993, a região não sofria grandes intervenções. O interesse de novas empresas na área teria levado o município a fazer alguns ajustes para viabilizar projetos futuros.

Apesar dos primeiros sinais de modernidade, a região continua malconservada. O Hospital Escola São Francisco de Assis, da UFRJ, chama atenção por seu estado de abandono: o imóvel tem áreas interditadas há mais de cinco anos devido a riscos de desabamento. E o entorno da Estação Praça Onze tem péssimo aspecto, com camelôs e mendigos ocupando seus acessos.

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